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terça-feira, 31 de maio de 2011

EUCOLOGION
Orações Comuns aos Cristãos Bizantinos
(Católicos e Ortodoxos)

Oração
dos monges de Optina
Senhor! concedei-me a graça de saber aceitar tudo que venha acontecer neste dia que se inicia. Permita que eu me entregue completamente à Vossa santa vontade em todo momento deste dia. Ajudai-me e orientai-me em tudo em todos os meus atos e palavras. Guiai  os meus pensamentos e sentimentos em todos os casos inesperados. Não permitais que eu me esqueça que tudo vem de Vós. Ensinai-me a agir corretamente com cada membro da minha família para que não ofenda e não magoe ninguém. Senhor, dai-me forças para superar o cansaço deste dia, e suportar tudo o que hoje venha acontecer. Dirija a minha vontade, e ensinai-me a rezar, ter fé, esperança, paciência, saber perdoar e amar. Amém.
Oração pelos Vivos
Salvai, Senhor, e tende piedade do meu pai espiritual (nome), de meus pais, parentes, mestres e benfeitores (dizer os nomes de quem desejar), de meus amigos e inimigos, de todos os cristãos ortodoxos e de todos que me pedem, a mim indigno, de rezar por eles.

Oração pelos Mortos
Concedei o repouso, Senhor, às almas dos Vossos servos falecidos (nomes), de todos os meus parentes, benfeitores, amigos e inimigos falecidos e perdoai-lhes todas as suas faltas voluntárias e involuntárias e dai-lhes o Reino dos Céus.


ORAÇÃO DA MANHÃ
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.
 
Glória a Vós, ó Senhor, Deus nosso, glória a Vós.
Senhor, seja misericordioso para mim que sou pecador.
Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, pelas orações de vossa Mãe Santíssima e todos os Santos, tende misericórdia de nós. Amém.
Rei Celeste, Consolador, Espírito da Verdade, presente em toda parte e ocupando todo lugar. Tesouro dos bens e dispensador da Vida, vinde e habitai em nós, purificai-nos de toda mancha e salvai, nossas almas, Vós que sois bom.
Santo Deus, Santo Poderoso, Santo Imortal, tende piedade de nós. (3 vezes).
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.
Santíssima Trindade, tende piedade de nós; Senhor, purificai-nos de nossos pecados; Soberano, perdoai as nossas faltas; Santo vinde e curai as nossas enfermidades, pela gloria do vosso Nome.
Senhor, tende piedade (3 vezes).
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.
Pai nosso, que estais nos Céus, santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade assim na Terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje e perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
Porque vosso é o Reino, o poder e a glória, Pai, Filho e Espírito Santo, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

Tendo-nos levantado do sono, adoramos-vos, ó Senhor e cantamos-vos o hino angelical; Santo, Santo, Santo, sois ó Deus, pela Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, tende misericórdia de nós.
Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo.
Vós que me erguestes do sono, Senhor, iluminai a minha mente e abre a minha boca para que eu vos glorifique, ó Santíssima Trindade: Santo, Santo, Santo sois, ó Deus, pela Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus: tende misericórdia de nós.
Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.
O Juiz virá repentinamente e as obras de cada um aparecerão, porém invocamos-vos com temor. Santo, Santo, Santo sois, ó Deus, pela Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, tende piedade de nós.
Tendo-me levantado do sono, agradeço a Vós Santíssima Trindade, que por vossa benevolência e paciência, não vos aborrecestes comigo, pecador e preguiçoso, nem me abandonastes nos meus infortúnios; mas pela vossa inefável bondade, me erguestes da lascividade, para que eu possa glorificar e santificar vossa grandeza. Agora, então, iluminai os olhos da minha mente, abre a minha boca para que eu possa aprender vossas palavras e entender vossos mandamentos; para praticar a vossa vontade, adorar-vos e glorificar-vos de coração, Pai, Filho e Espírito Santo, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.
Senhor, tende piedade. (12 vezes).
Vinde adoremos ó Rei nosso Deus!
Vinde adoremos e prostremo-nos perante Cristo Rei e nosso Deus!
Vinde adoremos e prostremo-nos unicamente perante Cristo Rei e Deus nosso.
Salmo 50
3 Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! *
Na imensidão de vosso amor,purificai-me!
4 Lavai-me todo inteiro do pecado, *
e apagai completamente a minha culpa!

5 Eu reconheço toda a minha iniqüidade, *
o meu pecado está sempre à minha frente.
6 Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei, *
e pratiquei o que é mau aos vossos olhos! –

– Mostrais assim quanto sois justo na sentença, *
e quanto é reto o julgamento que fazeis.
7 Vede, Senhor, que eu nasci na iniqüidade *
e pecador já minha mãe me concebeu.

8 Mas vós amais os corações que são sinceros, *
na intimidade me ensinais sabedoria.
9 Aspergi-me e serei puro do pecado, *
e mais branco do que a neve ficarei.

10 Fazei-me ouvir cantos de festa e de alegria, *
e exultarão estes meus ossos que esmagastes.
11 Desviai o vosso olhar dos meus pecados *
e apagai todas as minhas transgressões!

12 Criai em mim um coração que seja puro, *
dai-me de novo um espírito decidido.
13 Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, *
nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!

14 Dai-me de novo a alegria de ser salvo *
e confirmai-me com espírito generoso!
15 Ensinarei vosso caminho aos pecadores, *
e para vós se voltarão os transviados.

16 Da morte como pena, libertai-me, *
e minha língua exaltará vossa justiça!
17 Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar, *
e minha boca anunciará vosso louvor!

18 Pois não são de vosso agrado os sacrifícios, *
e, se oferto um holocausto, o rejeitais.
19 Meu sacrifício é minha alma penitente, *
não desprezeis um coração arrependido!

20 Sede benigno com Sião, por vossa graça, *
reconstruí Jerusalém e os seus muros!
21 E aceitareis o verdadeiro sacrifício, *
os holocaustos e oblações em vosso altar!
Símbolo da Fé
Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra,
de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus,
gerado do Pai antes de todos os séculos Deus de Deus, Luz da luz,
verdadeiro Deus de verdadeiro Deus,
gerado, não feito,
da mesma substância do Pai.
Por Ele todas as coisas foram feitas.
E, por nós, homens,
e para a nossa salvação,
desceu dos céus:
Se encarnou pelo Espírito Santo,
no seio da Virgem Maria,
e se fez homem.
Também por nós foi crucificado
sob Pôncio Pilatos;
padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou dos mortos ao terceiro dia,
conforme as Escrituras;
E subiu aos céus,
onde está assentado à direita de Deus Pai.
Donde há de vir, em glória,
para julgar os vivos e os mortos;
e o Seu reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo,
Senhor e fonte de vida,
que procede do Pai (e do Filho);
e com o Pai e o Filho
é adorado e glorificado:
Ele falou pelos profetas.
Creio na Igreja
Confesso um só batismo para remissão dos pecados.
Espero a ressurreição dos mortos;
E a vida do mundo vindouro.
Amém


Ave Maria, cheia de graça, Virgem Mãe de Deus, o Senhor é convosco, bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, porque gerastes o Salvador de nossas almas.
Salvai, Senhor, o vosso povo e abençoai a vossa herança; dai a vitória aos cristãos ortodoxos contra os inimigos e guardai o vosso povo pelo poder da vossa Cruz.
Anjo de Deus, meu Santo protetor, enviado do Céu por Deus para me guardar, peço-vos com fervor que me ilumineis agora e me protejeis contra todo o mal, orientando-me para todas as boas ações e levando-me pelo caminho da salvação. Amém.
Ao despertar do sono, a Vós recorro, Soberano Senhor Deus da bondade e peço: ajudai-me todo o tempo e em todas as coisas e livrai-me de toda má ação e de todas as tentações do demônio. Salvai-me e levai-me para o vosso Reino eterno, porque Vós sois o meu Criador e Dispensador de todos os bens. Em Vós ponho toda aminha esperança e a Vós canto os meus louvores, agora e sempre pelos séculos dos séculos. Amém.
Oração ao Santo do nosso nome
Intercedei por mim junto a Deus, São/Santa (nome....), porque, confiante, espero vossa pronta ajuda e intercessão pela minha alma
BREVEMENTE POSTAREMOS OUTRAS ORAÇÕES CONTINUANDO ESTA SÉRIE DE PRECES PRIVADAS E LITURGICAS DA TRADIÇÃO BIZANTINA PARA O CLERO E FIÉIS
SEMPRE NO INÍCIO DA POSTAGEM

segunda-feira, 30 de maio de 2011


O Poder da Oração Pessoal
O jejum e a oração constituem a base da vida de todo cristão.
 A oração é uma conversa da alma com Deus, do mesmo como, numa conversa, há sempre alguém que fala e outro que escuta.
Na oração falamos com Deus e Ele fala conosco. 
 É preciso saber escutar Deus em nossas orações, por isto,
 a grande importância do silêncio e da meditação.
 Na oração não devemos falar sem parar, pois assim, não será uma oração,
 não será uma conversa, não será um diálogo.


A Igreja faz orações diariamente por todos e para todos. Para isto estabeleceu um «devocionário» que deve ser seguido com seriedade, maturidade espiritual segundo as possibilidades de tempo de cada um.
O «Livro das Orações» ou o «devocionário» nos brinda com lindas orações, matutinas e vespertinas, acessíveis a todos. São orações dedicadas à Mãe de Deus, ao Senhor, ao Anjo de guarda; orações para antes e para depois das refeições; orações para a hora de deitar e acordar etc.
Pode-se ainda incluir no devocionário as orações dedicadas aos santos de devoção particular.
Quando não houver possibilidade de rezar diante de ícones pela manhã, em casa, podemos rezar a caminho do trabalho, no carro, no ônibus ou caminhando. O importante é sempre orar: ao levantar pela manhã, antes de fazer a primeira refeição, ao menos o sinal da cruz para que aquele dia seja abençoado por Deus.
No fim do dia devemos também rezar, agradecendo pelo dia e pedindo proteção para a noite que está por vir. Se o fiel estiver enfermo ou muito cansado, a oração vespertina deve ser feita antes de se deitar e de maneira mais breve. Contudo, nunca devemos deixar que os compromissos do dia-a-dia nos impeçam de conversar com Deus. As orações feitas na igreja, com nossos irmãos, não nos isenta do dever da oração pessoal.
Na oração da manhã, sobretudo, devemos rezar sempre e por primeiro pela paz do mundo, pelo bispo, hierarca da comunidade, pelo confessor, pelos pais e padrinhos de batismo, pelos familiares e amigos. Quando houver pessoas que nos odeiam, devemos rezar por elas, desejando a paz e o bem.
É costume pela manhã ler o Evangelho do dia e algum Salmo. Os monges aconselham os fiéis ortodoxos a lerem o Evangelho em seqüência, quando não tiverem o calendário das leituras em casa.
O objetivo principal do «devocionário» é preparar a alma do cristão para um diálogo permanente e vivo com Deus; despertar no fiel pensamentos de confiança, purificar o coração do pecado e evitar as tentações. Devemos «rezar incessantemente no Espírito, com orações e súplicas de todo tipo, e fazer vigílias, intercedendo, sem cansaço, por todos os cristãos». (Ef 6,18)
Como rezar quando nos falta tempo? Com que palavras rezar? Quem não sabe ler, como fazer para rezar? São Serafim de Sarov aconselha que sempre e em todo lugar façamos a oração de Jesus: «Senhor Jesus Cristo, Filho do Deus vivo, tem piedade de mim pecador!» Repetir muitas vezes o «Kyrie Eleison». É uma oração breve, mas que agrada a Deus e eleva nossa alma. É popularmente conhecida como “terço bizantino”, é a oração por excelência da vida monástica oriental, praticada por todos inclusive pelos simples fiéis em virtude de simplicidade e em obediência a ordem do Senhor: “ORAI SEM CESSAR”. 
Aguardem que brevemente será postado uma série de orações próprias do "Eucologion Bizantino"-(Orações diárias comuns entre os católicos e ortodoxos bizantinos) 

sexta-feira, 27 de maio de 2011


QUINTO DOMINGO DA PÁSCOA
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N o Evangelho deste domingo, Jesus abre os olhos ao cego de nascença pelas águas de Silóe.
 
Mas antes de pedir ao cego que lavasse seus olhos naquelas águas, Jesus tinha feito uma mistura de terra com sua própria saliva. O milagre estava iminente, uma vez que a receita usada pelo Senhor, isto é, a matéria (terra) e o espírito (saliva saída da boca do próprio Deus), proporcionam ao homem a possibilidade de uma nova criação, uma criação perfeita, por isso, sem defeitos. Deus usa de nossa própria realidade para operar maravilhas.
(Piscina de Siloé)
Ele quer precisar de nossa história, nossas condições limitadas, nossas experiências, fazendo delas ingredientes necessários para revelar-se.
A luz é criada por Deus, conforme relata o Gênesis, para colocar ordem no Universo. Deus separa as trevas da luz e as nomeia Dia e Noite. Após ter feito a luz, cria o homem, a sua imagem e semelhança, sob a claridade da vida, para que ele governasse a Terra. No entanto preferiu o governo das trevas caindo no pecado. Foi necessária a Nova Luz que brota do caos da morte, para que ele pudesse retornar a sua essência, para que pudesse retornar à luz primitiva:
«Senhor, nosso Deus, fonte da vida e da imortalidade;
luz e vida de todos;
ó luz eterna da luz eterna;
luz invisível e incompreensível;
cuja morada está na luz inacessível;
luz da glória do Pai e seu esplendor;
luz das ordens celestes
que ilumina todo homem que vem ao mundo.
Tu, ó Salvador,
puseste uma lei ao primeiro homem que estava na luz,
para que o guiasse e dirigisse ao mundo novo,
infundindo nele o desejo de progredir na vida eterna.
Ele, porém, transgrediu teu mandamento
e caiu daquela sua glória
e, com sua queda, causou a sua própria morte
e sua expulsão para longe de Ti,
ó Luz glorificada.
Tu, no entanto, Senhor,
pela tua morte, imensa bondade e compaixão incomensurável,
desceste até a nossa baixeza, a nós, pecadores,
para devolver-nos aquela glória perdida e a luz primitiva.
Quiseste até morar no túmulo
por nós, transgressores de teus mandamentos divinos;
desceste aos invernos e às profundezas da terra,
despedaçaste as portas eternas
e libertaste os que estavam nas trevas da morte.
Pela tua Ressurreição ao terceiro dia,
iluminaste o nosso gênero humano;
deste ao mundo uma vida nova;
iluminaste a todos melhor que o sol;
e por tua misericórdia,
restituíste à nossa natureza,
o seu lugar primitivo
e a luz gloriosa da qual fora afastada".
«Deus, fonte da vida e da imortalidade;
luz e vida de todos;
ó luz eterna da luz eterna;
luz invisível e incompreensível;
cuja morada está na luz inacessível;
luz da glória do Pai e seu esplendor;
luz das ordens celestes
que ilumina todo homem que vem ao mundo» (*)
Na Criação, o Senhor reorganiza o caos e, com a Ressurreição de Cristo, dá ao homem a Luz nova; neste fato narrado pelo Evangelho, o Senhor reorganizou a vida daquele que era antes privado da visão: de incrédulo passou a ser testemunha do Messias e ao mesmo tempo sua cura manifestava que o Reino de Deus já estava no meio deles.
Em outras passagens do Novo Testamento, a luz também foi usada por Jesus como elemento pedagógico em suas parábolas ensinado-nos que não podemos escondê-la, mas colocá-la em lugares onde ela possa irradiar sua luminosidade.
Uma vez batizados somos possuidores da Luz pois no Batismo, a luz ocupa um lugar de destaque trazendo em seu bojo uma catequese: recebemos a luz (vela acesa) que nos faz Filhos de Deus, que nos faz criaturas iluminadas, com a missão de iluminar.
Ao nascer uma criança dizemos que a «mãe deu à luz uma criança»; isto é: a mãe dá de presente uma criança para a luz do mundo. Com o Batismo pais e padrinhos dão à luz um filho da Igreja. Nele, esta luz não é criada, é a nova luz, a luz que brota da Ressurreição, do túmulo de Cristo. A Igreja acolhe em seu seio, como Mãe, os novos filhos que pelo Batismo são dados à luz da fé. Da mesma forma que após o nascimento uma criança recebe todos os cuidados necessários, no Batismo, pais e padrinhos cuidam por zelar também por ela,para que de fato a Luz recebida no Batismo não seja escondida ou ocultada, mas pelo contrario, seja intensificada, divulgada e anunciada.
Não podemos agir, portanto, como se ignorássemos essas grandezas; não podemos nos esconder da própria luz que nos foi dada no dia de nosso Batismo. Semelhantemente, a prática deve confirmar a nossa adesão ao Cristo e não contrariar o que professamos em público.
O Cego, após o milagre, professou sua fé no Senhor, menosprezando o medo e as conseqüências que disto podia lhe advir.
Somente Cristo consegue lançar luz sobre as trevas. Renunciá-lo significa preferir a escuridão à Luz; luz esta que ilumina a todos e a tudo.
O Senhor abre também nossos olhos e nos ensina a ver nos sofrimentos, nas dores, na morte e nas dificuldades a presença de Jesus sofredor e não a sua completa ausência ou abandono que, as vezes, somos tentados a supor.
A terra e a saliva ainda são necessárias para que a Luz resplandeça e ilumine o mundo; e para que o mundo creia e professe que Jesus é o Senhor, o Messias prometido aos nossos pais desde os tempos mais antigos.
(*) Oração do Sábado Santo
Padre Paulo
Site: Ecclesia Brasil

terça-feira, 24 de maio de 2011

POR ESTARMOS NA SEMANA DA MULHER SAMARITANA.
VAMOS A ELA, DE NOVO.
SANTA PHOTINA, A MULHER DO POÇO
(Ícone de Santa Fotina)

Na noite passada, por volta das três da manhã, após recitar um salmo e o kondáquion do Domingo da Samaritana, em cuja semana estamos; a quarta do Tempo Pascal, lembrei de que segundo a Sagrada Tradição a mulher samaritana se chamava Fotina ou também conhecida por Svetlana, assim resolvi contar aqui sua história: Nascida na Samaria em época desconhecida, morreu em Roma no ano 66, como mártir da Igreja. Na sequência dos  acontecimentos junto a Fonte de Jacó, sabemos que Photina regressou à sua aldeia, e muitos passaram a acreditar em Jesus com o seu testemunho. A vida de Photina após seu encontro com o Senhor é de um grande amor por Ele, superando o medo constante, apesar da perseguição ,num tempo de eventuais práticas de tortura e morte. Ela é muito venerada nas tradições orientais tanto católicas como ortodoxas, pois é reconhecida pelo Martirológio Romano.

Após seu encontro com o Cristo vivo, Photina e seu filho, provavelmente, foram morar em Cartago, onde pregou o Evangelho a todos que quisessem ouvir. Seu filho mais velho, São Vitor, um soldado, tinha demonstrado sua coragem na batalha, e, portanto, recompensados ​​com uma estação de destaque na cidade de Atália. Após uma conversa com o administrador da cidade, durante o qual Vitor foi incentivado a renunciar sua fé e avisar sua mãe e irmãs para não pregar o Evangelho, o administrador da cidade ficou mudo e cego por três dias. Ao recuperar os sentidos, e vendo Vitor ainda com ele, o administrador se converteu ao cristianismo, junto com seus servos. Notícias desta conversão milagrosa finalmente chegou o imperador Nero, um perseguidor ativo e sádico dos cristãos, que ordenou que fossem trazidos a Roma para julgamento.

Marcada a audiência do julgamento, Santa Photina e suas irmãs, e vários outros crentes, viajaram para Roma para participar com outros confessores dos exercícios de provação. O julgamento foi curto, e a tortura começou quase imediatamente após os acusados se recusarem a renunciar sua crença em Cristo. Cada um dos mártires tinha seus pulsos esmagados em uma bigorna, mas relataram sentir nenhuma dor. Mas o de Photina,  porém, foi milagrosamente incapaz de ser esmagado. Os homens foram jogados na prisão, onde continuaram a pregar para todos que quisessem ouvir, a prisão logo se transformou em um lugar radiante de luz e com doce odor. As mulheres eram confinadas ao serviço da filha do imperador, que rapidamente se converteu à fé através dos seus testemunhos, assim como seus servos.
Incomodado e com raiva, Nero ordenou que os mártires fossem executados. Os homens foram crucificados de cabeça para baixo depois serem espancados por três dias, ainda assim se recusavam a morrer. Eles, então, tiveram as pernas cortadas abaixo dos joelhos, os seus membros jogados aos cães, e foram espancados até expirar. As mulheres foram mutiladas, amarradas a duas árvores e após a libertação foram divididas ao meio. Santa Photina foi jogada em um poço. Após 20 dias de congelamento na água, sem comida, sem dormir, ela foi chamada perante o imperador. Novamente, ela foi convidada a renunciar à sua fé, mas respondeu: "Voçê se encontra entre os ímpios, cego, perdido, homem louco! Você pode pensar, por ser tão estúpido que é; que eu concordaria em renunciar a Cristo, meu Senhor e oferecer sacrifícios aos ídolos tão cegos como você? " Sem hesitar, o Nero ordenou  que fosse jogada de volta ao poço, onde adormeceu em paz com o Senhor.
Photina, tão comovida pelo Senhor, tão sedenta da água da Vida, deu tudo que tinha para espalhar o Evangelho aos outros. Tão cheia de amor e caridade que ela estava, ela escolheu dar sua vida para que outros pudessem ouvir as palavras de Cristo e passaram a acreditar. É certamente um desafio em nossas vidas para viver a nossa fé abertamente, testemunhar para aqueles que encontramos, não por causa de ameaças de morte na maioria dos casos, mas por causa do julgamento e da hostilidade exibida por muitos no mundo. A questão é, será que devemos deixar que nos impeçam? O amor de Cristo nos impele a chamar outras pessoas para Ele, para que também eles possam ser salvos. Como, através de nossas vidas, palavras e comportamentos, estamos servindo como testemunha para a glória e redenção de Jesus Cristo? Oramos para que possamos viver a nossa fé corajosamente, para que todos possam ver e crer!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Eu sou a ressurreição e a vida (Jo. 11,25)
O Senhor Jesus Cristo falou essas santas palavras. Não apenas as falou, como também as comprovou com Seus atos. Ressuscitando a filha de Jairo, o filho da viúva de Naim e o Seu amigo Lázaro, Ele provou que é a ressurreição e a vida, o Ressuscitador e o Vivificante. E mesmo assim Ele as comprovou melhor pela Sua própria Ressurreição dentre os mortos. Pois estar vivo e assim ajudar os mortos eram coisas de que já se ouvira antes. Mas estar morto e enterrado, jazer no túmulo por três dias e dar a vida a si mesmo, isso era inaudito até a Ressurreição de Cristo. É o milagre dos milagres e a prova de um poder acima de qualquer outro poder. Esse milagre foi operado pelo nosso Senhor. O nosso Senhor manifestou esse poder. Logo, verdadeiras são Suas palavras, Eu sou a ressurreição e a vida: verdadeiras, santas e consoladoras para todos nós que viajamos rumo à inescapável morte do corpo e esperamos viver além do túmulo e ver o nosso Senhor Vivo em glória.
Entretanto, o Senhor não é somente o Ressuscitador do corpo mas também o Ressuscitador da alma. Durante Sua vida sobre a terra, ressuscitou apenas uns poucos corpos humanos, mas incontáveis almas -- para demonstrar que a ressurreição da alma é muito mais importante do que a ressurreição do corpo. Quase todas as almas humanas estavam mortas quando Ele veio ao mundo; e Ele ressuscitou inúmeras almas pelo Seu poder e imbuiu nelas a Sua vida. Tanto os judeus quanto os pagãos estavam mortos em alma e Ele avivou a uns e a outros. Meus irmãos, deixemos de lado todas as preocupações com a ressurreição de nossos corpos e batalhemos, enquanto ainda temos tempo, pela ressurreição de nossas almas. Pois se as nossas almas não ressuscitarem e não forem avivadas pelo Cristo ainda sobre a terra, não esperemos nenhum júbilo pela ressurreição de nossos corpos no Dia do Juízo, o Dia da Ira. Pois nessa ocasião os corpos de nossas almas mortas serão ressuscitados, não para a vida, mas para o tormento eterno.
Senhor Jesus Cristo, nossa única ressurreição e vida, ajudai-nos pelo Vosso poder e pela Vossa misericórdia, para que sejamos ressuscitados e avivados por Vós para a salvação e a vida eterna.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

DOMINGO DA SAMARITANA

Continuamos na maravilhosa esteira deste Tempo da Páscoa da Ressurreição do Senhor, iniciando cada semana com um evento novo. Desta vez é o Domingo da Samaritana. Na Divina Liturgia de quarta-feira passada: Mesopentecostes; Jesus já anunciava ser Ele a Fonte da água Viva: o Espírito Santo. A história dos patriarcas e de suas lutas pela sobrevivência no meio do deserto serve de horizonte para João narrar este encontro de Jesus com a samaritana. Tal como os pais da fé, que ergueram poços e cisternas no deserto e tornaram a vida possível, Jesus é apresentado como o portador de um dom tão precioso como a água. Mas o texto usa, igualmente, outros simbolismos bíblicos, tal como a mulher infiel anunciada pelo profeta Oséias, figura do sincretismo e da idolatria religiosa da Samaria, ou as imagens da semeadura e da colheita como figuras do reino de Deus. Tudo isso culmina na profissão de fé que encerra o texto – “Nós cremos e conhecemos que este é realmente o Salvador do mundo” -, onde “crer” e “conhecer” têm a dimensão de experiência profunda de fé.
Kondakion da Samaritana a ser recitado na Divina Liturgia deste  4ºdomingo da Páscoa.
A Samaritana, tendo ido com fé ao poço,
Vos viu, ó Água da Sabedoria;
e saciada por Vós a sua sede, herdou o Reino Eterno do Céu.
A samaritana torna-se, assim, símbolo do(a) catecúmeno(a) e do(a) discípulo(a) de Jesus, de quem aceita o dom que o Senhor oferece, e que realiza em seu itinerário aquilo que o Senhor profetiza: aquele que beber da água que eu lhe darei nunca mais terá sede, e a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna. O discípulo torna-se o adorador em espírito e verdade e, exatamente por isso, detentor de um dinamismo missionário e evangelizador, tal como a mulher samaritana que dizia para todos: “Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz: será que ele não é o Cristo?”. Esta mulher, no início do evangelho, evoca a pessoa de Maria Madalena, que, na manhã da ressurreição, trará para o mundo a boa notícia da páscoa de Cristo.

Igreja em Antioquia, onde outrora foi a casa de São Pedro, Apóstolo. 

O Santo Batismo, neste domingo, nos é apresentado, não como algo acabado, mas como uma relação a ser construída, tal como o diálogo vivido entre Jesus e a samaritana, que se estende a muitos. Por isso, é melhor dizer que somos batizados, mais do que fomos batizados. Toda celebração que participamos, seja molhando nossas mãos na pia de água benta, seja participando de um rito de aspersão, deixamos que o símbolo da água nos conduza para dentro do mistério do nosso batismo. Ela nos aponta para o espírito que deve animar continuamente a nossa existência batismal: lembremos que, tal como a água, o espírito é derramado.


Um sacerdote bizantino mergulha a cruz numa fonte de água, no rito próprio da Consagração das Águas na Festa da Epifânia-Batismo do Senhor em 06 de janeiro, segundo o Rito Bizantino

 Mergulhados na água - e a palavra “batismo” significa “imersão” e “mergulho” -, somos mergulhados no Cristo, em sua morte e ressurreição, celebrada e realizada em nós em cada assembléia litúrgica. Por isso a leitura da epístola deste domingo é um trecho do Livro Atos dos Santos Apóstolos no qual é descrito que foi em Antioquia da Síria que pela primeira vez o discípulos de Nosso Senhor, foram chamados de “CRISTÃOS” Desde o dia glorioso do nosso Batismo, trazemos este maravilhoso nome.
Este é o poço de Jacó, que a propósito:  foi notícia novamente por volta no início dos anos 80 do último século, quando um grupo de fanáticos judeus invadiram a capela ortodoxa contruida sobre o local e barbaramente assassinaram o monge que habitava lá em guarda do templo. Este monge é hoje um Santo Mártir, São Philemon do Poço de Jacó, seu corpo está incorrupto na capela do Seminário do Patriarcado Ortodoxo de Jerusalém.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

MESOPENTECOSTES
18 de maio
 No 25º dia após o Domingo de Páscoa (sempre contando este Domingo como dia um) comemoramos o meio do novo tempo, a festa de Mesopentecostes, sempre numa quarta-feira, bem entre o dia da Ressurreição e o dia de Pentecostes. É festa que tem muito a ver com água.  Durante a Divina Liturgia nós rezamos:
 Pelo meio da festa dai à minha alma sedenta de beber das águas da piedade. Porque, ó Salvador, dissestes a todos em voz alta: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba”. Ó Cristo Deus, fonte da vida, Glória a Vós.
 O evangelho é João 7, 14-30. Jesus ensinava no templo quando a Festa dos Tabernáculos ia já pela metade. A festa durava vários dias. É claro o paralelo: meio da festa judaica, meio do período até o Pentecostes. Naquela mesma festa Jesus disse: Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. E Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva (Jo, 7, 37-38). Rezamos ainda:
 Pelo meio da festa legal, ó Cristo Deus, Criador e Senhor de todos, dissestes aos presentes: “Vinde, bebei a água da imortalidade”. Por isso nós Vos adoramos e Vos clamamos com fé: “Dai-nos Vossa misericórdia, Vós que sois a fonte de nossa vida.”

segunda-feira, 16 de maio de 2011


O Espírito vivifica

O Senhor que nos concede a vida, estabeleceu conosco a aliança do batismo, como símbolo da
morte e da vida. A água é imagem da morte e o Espírito nos dá o penhor da vida. Assim, torna-
se evidente o que antes perguntávamos: por que a água está unida ao Espírito? É dupla, com
efeito, a finalidade do batismo: destruir o corpo do pecado para que nunca mais produza frutos
de morte, e vivificá-lo pelo Espírito, para que dê frutos de santidade. A água é a imagem da
morte porque recebe o corpo como num sepulcro; e o Espírito, por sua vez, comunica a força
vivificante que renova nossas almas, libertando-as da morte do pecado e restituindo-lhes a vida.
Nisto consiste o novo nascimento da água e do Espírito:na água realiza-se a nossa morte,
enquanto o Espírito nos traz a vida.
 O grande mistério do batismo realiza-se em três imersões e três invocações, para que não
somente fique bem expressa a imagem da morte, mas também a alma dos batizados seja
iluminada pelo dom da ciência divina. Por isso, se a água tem o dom da graça, não é por sua
própria natureza mas pela presença do Espírito. O batismo, de fato, não é uma purificação da
imundície corporal, mas o compromisso de uma consciência pura perante Deus. Eis por que o
Senhor, a fim de nos preparar para a vida que brota da ressurreição, propõe-nos todo o
programa de uma vida evangélica, prescrevendo que não nos entreguemos à cólera, sejamos
pacientes nas contrariedades e livres da aflição dos prazeres e do amor ao dinheiro. Isto nos
manda o Senhor, para nos induzir a praticar, desde agora, aquelas virtudes que na vida futura se
possuem como condição natural da nova existência.
 O Espírito Santo restitui o paraíso, concede-nos entrar no reino dos céus e voltar à adoção de
filhos. Dá-nos a confiança de chamar a Deus nosso Pai, de participar da graça de Cristo, de
sermos chamados filhos da luz, de tomar parte na glória eterna, numa palavra, de receber a
plenitude de todas as bênçãos tanto na vida presente quanto na futura. Dá-nos ainda contemplar,
como num espelho, a graça daqueles bens que nos foram prometidos e que pela fé esperamos
usufruir como se já estivessem presentes. Ora, se é assim o penhor, qual não será a plena
realidade? E, se tão grandes são as primícias, como não será a consumação de tudo?

Do Livro Sobre o Espírito Santo, de São Basílio, bispo
  (Cap 15,35-36: PG 32,130-131)
(Séc.IV)