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quarta-feira, 18 de abril de 2018

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018


Um lamento...

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Impressionante o número de papagaiadas, trejeitos, invenciones, bizarrices filmados e mostrados nas redes sociais por ocasião da Semana Santa.
Todas elas são fruto de duas desgraças:
a ignorância do que seja a Liturgia
e a ideia de criatividade no âmbito da vida litúrgica da Igreja.
A ignorância de uma consistente teologia da Liturgia, tal qual a Igreja crê e guardou na sua grande Tradição e a Sacrosanctum Concilium apresentou, leva a todo tipo de extrapolação, de comportamentos simplórios e aberrantes, estranhos ao espírito da Liturgia.
Por sua vez, a maldita categoria de criatividade, aplicada à Liturgia, abre as portas para todo tipo de exibicionismo, esquisitismo, subjetivismo, leviandade e até mesmo profanação dos Santos Mistérios de Cristo... Na Liturgia não há lugar para a criatividade! Liturgia é fidelidade! Ponto e basta!
A Liturgia da Igreja agoniza... E, com ela, a vida mesma, a identidade mesma da Igreja agonizam...
E as assembleias, na santa ignorância, conduzidas por pastores infiéis ou simplesmente ignorantes e incompetentes, aplaudem... E a fé católica vai degenerando-se...
Até quando?
Tenho medo de que, daqui a pouco, os católicos orientais - unidos à Sé Romana ou não - já não mais nos considerem como Igreja de Cristo...

Até que enfim, um Bispo do Rito Romano respondeu a pergunta que quase todos os dias me fazem: Quando os orientais separados (ortodoxos) vão se unir à Sé de Roma?
Tanto para os Ortodoxos e nós Católicos Orientais a Igreja de Cristo só é compreendida a partir da Liturgia.  Desfigurar a Liturgia é deformar o rosto da Esposa (Igreja) do Cordeiro (Jesus). Reproduzo aqui uma pequena contribuição da minha monografia.
“Transcorria o ano de 988 da nossa era quando a Rússia abraçou a fé cristã. E isso ocorreu mediante um fato que nos conduz a certeza de que a Liturgia da Igreja é de fato um fator predominante para nos introduzir no Mistério da Fé, iniciado em Pentecostes quando o Espírito Santo insuflou a Igreja, corpo místico de Cristo, como quando na Criação Deus soprou sobre os primeiros corpos criados. Assim foi dado á Igreja o impulso para continuar a ação litúrgica de Cristo, pelo Pai, no Espírito Santo. Tal fato nos da conta de que o príncipe Vladimir de Kiev enviou seus representantes para que, viajando por diversas partes do mundo, conhecessem os mais diferentes credos e suas celebrações e depois lhes apresentassem a que mais convinha ao grande reino. Os enviados foram e conheceram primeiramente os búlgaros e não se agradaram do modo muçulmano como oravam. Em seguida conheceram os cristãos germanos e tão pouco sentiram o calor dos louvores que buscavam. Enfim chegaram até Constantinopla (Bizâncio), onde foram recebidos pelo imperador e representantes do clero que os conduziram à gloriosa Santa Sofia onde ali na presença deles celebraram a Divina Liturgia. E qual não foi a impressão dos enviados que tão logo trataram de comunicar ao jovem príncipe a impressão que tiveram num breve relato seguido de uma grande decisão: Não sabemos se estamos no céu ou na terra, a certeza que temos é que aqui Deus mora entre os homens. Refletindo sobre este episódio o papa emérito Bento XVI comentava: o que os representantes do príncipe russo relataram acerca da verdade da fé celebrada na liturgia bizantina não foi uma forma de persuasão missionária, cujos argumentos lhes havia parecido mais convincentes que os de outras religiões. O que eles experimentaram foi o mistério como tal, que para além de uma disputa racional, deixou aparecer o poder da verdade.

Essa verdade tem sinônimo de beleza e fé, cujo núcleo é o ápice da vida sacramental pela liturgia da Igreja, a saber a Eucaristia, assim a força interna da liturgia desempenhou sem dúvida um papel fundamental na expansão do Cristianismo.”

GRANDE SEMANA SANTA
MARÇO - 2018


Dia 24 SÁBADO DA RESSURREIÇÃO DE LÁZARO (INÍCIO DA GRANDE SEMANA)
18:30 - OFÍCIO PELOS FALECIDOS  (TRAZER POR ESCRITO OS NOMES DOS FALECIDOS QUE SERÃO DEPOIS ENVIADOS AO SANTO SEPULCRO)
19:00 - DIVINA LITURGIA

DIA 25 DOMINGO DE RAMOS
09:00 - DIVINA LITURGIA COM BENÇÃO E PROCISSÃO COM RAMOS
(ÚNICA CELEBRAÇÃO DO DIA)

DIA 28 - GRANDE QUARTA FEIRA
19:00 - DIVINA LITURGIA COM BENÇÃO DOS SANTOS ÓLEOS DO BATISMO, ENFERMOS E PENITENTES

DIA 29 - GRANDE QUINTA FEIRA
19:00 - DIVINA LITURGIA DA CEIA MISTICA E LAVA-PÉS COM A LEITURA DOS DOZE EVANGELHOS DA PAIXÃO DO SENHOR

DIA 30 - GRANDE SEXTA FEIRA
15:00 - CERIMÔNIA DA DESCIDA DO SENHOR DA CRUZ E PROCISSÃO (AS ROSAS VERMELHAS PARA O ESQUIFE PODERÃO SER TRAZIDAS ATÉ NO MOMENTO DA CELEBRAÇÃO)

DIA 31 - GRANDE SÁBADO
18:30 - TRASLADAÇÃO DO EPITÁFIO PARA O ALTAR, BENÇÃO DO FOGO NOVO E DIVINA LITURGIA (TRAZER VELAS PARA ACENDER NO CÍRIO PASCAL)


DIA 01 DE ABRIL - GRANDE DOMINGO DA PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR
09:00  - ABERTURA DA PORTA E DIVINA LITURGIA (COM A DISTRIBUIÇÃO DO LOURO)

(ÚNICA CELEBRAÇÃO DO DIA)

Conforme a variedade dos Ritos na Santa Igreja Católica; para os que tomarão parte nas nossas celebrações pela primeira vez no Rito Bizantino  especialmente estas da Grande Semana Santa, poderão fazer uma maravilhosa peregrinação à Terra Santa. Um tesouro da Tradição da Igreja revelado pela peregrina Silvia (Egéria), que no século IV passa bons anos em Jerusalém e descreve em seu diário de viagem a beleza do lá viu nestes dias e que ainda fazemos. Segundo a pedagogia do Rito Bizantino, a Grande Semana Santa começa com uma ressurreição: a de Lázaro. Quando seis dias antes da sua própria, Jesus demonstra tal possibilidade.
Na Sexta feira Santa após descer da cruz o ícone do Senhor Crucificado, como José de Arimatéia, o sacerdote envolve-o num lençol e unta de perfumes, que também é aspergido sobre os fiéis.Cobre-o em seguida com o “Antimension” (anti-mesa) peça na qual está estampada a cena da descida do Corpo do Senhor da Cruz, colocado sobre o Santo Sepulcro, e somente sobre ele é que se pode celebrar a Divina Liturgia (missa).
No Sábado Santo o “Antimension” é levado para o seu posto definitivo: o altar.Benze o Fogo Novo e acende o Círio do qual todos os batizandos e crismandos tomam da Luz do Ressuscitado até a próxima Páscoa.
Na manhã do Grande Domingo da Ressurreição, a Porta da Igreja é aberta numa cerimônia muito especial. É a Porta da Vida: Jesus. Há distribuição do louro. Símbolo da Vitória. Com o qual se tece as coroas dos vencedores dos jogos olímpicos. Jesus venceu o pecado e a morte. Desta maneira durante os cinqüenta dias do Tempo Pascal, abolimos toda espécie de cumprimentos usuais para usar apenas este em qualquer lugar, hora e situação: CRISTO RESSUSCITOU! O Cumprimentado responde: VERDADEIRAMENTE RESSUSCITOU!!

Santa e Feliz PÁSCOA para todos!

Arquimandrita João, pároco




1ª. Dor - Apresentação de meu Filho no Templo
Nesta primeira dor veremos como meu coração foi transpassado por uma espada, quando Simeão profetizou que meu Filho seria a salvação de muitos, mas também serviria para ruína de outros. A virtude que aprendereis nesta dor é a da santa obediência.
Ao ouvir essa profecia Maria continuou firme na fé, confiando no Senhor: “Em vós confio”. Quem confia em Deus jamais será confundido. Nas vossas penas, nas vossas angústias, confiai em Deus e jamais vos arrependereis dessa confiança. Mesmo prevendo dores e sofrimentos em procurar fazer a vontade de Deus, continuemos firmes e confiantes no Senhor.
2ª. Dor - A fuga para o Egito
Após o nascimento de Jesus, o Rei Herodes quis matá-Lo e, por causa disso, um anjo do Senhor apareceu a São José e disse: "Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise". Obediente, "José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito." (Mt 2, 13-14).
Unidos à dor que Maria sentiu nessa ocasião, peçamos forças e graças para suportarmos com paciência as dores de nossas vidas, e para nos mantermos afastados dos pecados. Estejamos unidos a tantos que sofrem perseguição e são obrigados a fugir de seus países.
3ª Dor - Perda do Menino Jesus
A dor de Maria pela perda de Jesus foi sem dúvida uma das mais acerbas; porque ela então sofria longe do Filho, e a humildade fazia-lhe crer que Ele se tinha apartado dela por causa de alguma negligência sua. Sirva-nos esta dor de conforto nas desolações espirituais, e ensine-nos o modo de buscarmos a Deus, se jamais para nossa desgraça viermos a perdê-Lo por nossa culpa.
Aqui nos unimos a tantas situações de famílias que “perdem” seus filhos em tantas dependências e situações. Somente no retorno ao Senhor representando pelo templo é que serão reencontrados.
4ª. Dor - Doloroso encontro no caminho do Calvário
Um dos momentos mais pungentes da Paixão é o encontro de Jesus com Sua Mãe no caminho do Calvário. Na ocasião, a troca de olhar com o Filho, a constatação das crueldades que Ele estava sofrendo, tudo causava imensa dor no Seu Coração de Mãe. Unidos à dor que Maria sentiu nesta ocasião, peçamos forças e graças para suportarmos com paciência todas as dores de nossas vidas, e para nos mantermos afastados do pecado.
Nós nos unimos à dor de tantas mães que trocam olhares com seus filhos que carregam tantas cruzes e tantas dores no mundo de hoje.
5ª. Dor - Aos pés da Cruz
Maria acompanhou de perto todo o sofrimento de Jesus na Cruz, e assistiu de pé à sua morte: "junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cleófas, e Maria Madalena" (Jo 19, 25). Depois de três horas de tormentosa agonia, Jesus morre. Maria, sem duvidar um só instante, aceitou a vontade de Deus e, no seu doloroso silêncio, entregou ao Pai sua imensa dor, pedindo, como Jesus, perdão para os criminosos.
Quantas situações de cruzes e de morte em nossa sociedade! Inseguranças, injustiças, maldades, maledicências! Quantas dores nos fazem sofrer! Unidos a Maria, estejamos em pé diante da Cruz.
6ª. Dor - Uma lança atravessa o Coração de Jesus
Consideremos como, depois da morte do Senhor, dois de seus discípulos, José e Nicodemos, O descem da cruz e O depõem nos braços da aflita Mãe que, com ternura O recebe e O aperta contra o peito. O momento fotografado nas imagens de Nossa Senhora da Piedade nos mostra o amor de mãe ao ver o filho sem vida nos braços.
É a unidade com tantas situações que a Igreja, como mãe que é, vê seus filhos sem vida nos seus braços, seja pelos pecados, seja pelas injustiças ou perseguições. Com a mesma coragem e fé de Maria vivamos esses momentos difíceis deste conturbado século.
7ª. Dor - Jesus é sepultado
Consideremos como a Mãe dolorosa quis acompanhar os discípulos que levaram Jesus morto à sepultura. Depois de tê-Lo acomodado com suas próprias mãos, diz um último adeus ao Filho e ao Seu sepulcro, e volta para casa com as perguntas que toda mãe faz, ao mesmo tempo em que mergulha no mistério de Deus. Nós também, à imitação de Maria, encerremos o nosso coração no santo Tabernáculo onde reside Jesus, já não morto, mas vivo e verdadeiramente como está no céu.
Mas procuremos também encontrá-Lo na pessoa dos irmãos, em especial dos mais pobres que nos fazem descobrir que Ele vive e está no meio de nós.

Nesta Semana Santa queremos caminhar com Nossa Senhora das Dores pelos caminhos do Calvário, relembrando que a Paixão do Senhor nos anima a vivermos as obras de misericórdia neste ano santo extraordinário. Nestes dias, queremos pedir à Bem-aventurada Virgem Maria que nos ajude a ser fiéis no caminho de seu Filho. Quantas dores ela passou e suportou, e sempre esteve ao lado do Filho. Maria é exemplo de fiel discípula e missionária. É aquela que vive a dor na esperança da Ressurreição.




QUINTO DOMINGO DA GRANDE QUARESMA
18 DE MARÇO
SANTA MARIA EGÍPCIA

 Maria teria começado a sua vida no Egito, era linda e teria sido uma prostituta com 17 anos de idade e era cínica e totalmente desencantada da vida e detestava o dinheiro. Na verdade ela não amava a nada.

Um dia ela, por curiosidade se uniu a um grupo de peregrinos para conhecer Jerusalém.



Em Jerusalém uma força irresistível não a deixava entrar na igreja junto com os outros peregrinos. Mas em frente a uma imagem da Virgem Maria (de acordo com outra versão: no Santo Sepulcro) ela sentiu a enormidade dos seus pecados e recebeu uma visão mandando ela ir para o deserto após o Rio Jordão, onde encontraria a paz.


Imediatamente Maria foi para o deserto e apenas levou com ela três pedaços de pão. Ela se confessou e comungou no monastério de São João Batista, mas não ficou lá e deixou os monges penalizados com a sua determinação de ir para o deserto. Diz a tradição que ela conseguiu ficar 48 anos no deserto sofrendo de sede e de frio Ela comia algumas frutas e suas roupas viraram farrapos. Algumas vezes se via tentada a voltar a vida de pecado mas a Virgem Maria sempre dava a ela a fortaleza que precisava. Ela não sabia ler, mas recebia dos anjos a instrução da fé cristã.

Havia um monge chamado Zósimo que nos conta o que sabemos sobre Maria. Ele era um velho homem e viveu em um monastério na Palestina por 53 anos . Todo ano após a Sexta Feira da Paixão, ele ia para o deserto meditar e a cada ano ele caminhava alguns dias a mais do que o ano anterior. Certo ano ao caminhar 20 dias alem do anterior, ele parou para descansar e estava orando quando viu alguém a sua frente.

A principio pensou ser o demônio, mas depois viu que se tratada de Maria e ela era uma pessoa extremamente magra, tão magra que apesar de quase nua, não tinha seios e ele não a distinguiria de um homem. Ela estava tostada pelo sol, preta e seca como um velho pedaço de madeira.



O monge foi até ela mas ela gritou "Antes coloque um manto sobre mim ,porque eu não tenho roupas". Ele a perseguiu até uma moita onde ela se escondeu. "Pelo amor de Deus", disse ele, "que faz aqui? e por quanto tempo está aqui?"

"Zósimo, respondeu ela , "por favor dê-me seu manto, me abençoe e perdoa-me os meus pecados e eu sairei daqui".

(não se sabe como ela sabia o seu nome).

Pelos seus escritos, Zósimo deu detalhes sobre ela.

Maria a Egípcia falou sobre a bíblia que ela inexplicavelmente conhecia muito bem.Zósimo ficou impressionado o seu conhecimento espiritual e a sua sabedoria.

Maria disse a Zósimo : "Deixe o seu manto e só volte no próximo ano na Sexta da Paixão e venha com a Eucaristia para mim, e não diga uma só palavra a ninguém."

Como havia prometido ele retornou no ao seguinte na Sexta Santa e deu a ela a santa comunhão.

Ele trouxe ainda figos, damascos e lentilhas mas após Maria receber os sacramentos, ela só comeu três lentilhas.

Agradeceu a ele e suplicou que ele retornasse no ano seguinte.

De acordo com a tradição, Santa Maria morreu certa noite e deixou uma mensagem ao monge seu amigo, a qual ela teria escrito em um pedaço de pedra com outra pedra, e dizia o seguinte :

"Padre Zósimo, enterre o corpo desta Maria pecadora aqui. Devolva a terra o que é apenas terra, e ore por mim".

Ele reverenciou Maria o resto de sua vida. Ele a chamava de Maria, a Egípcia .

Parece que ela viveu 78 anos.

Na arte litúrgica da Igreja ela é mostrada com um longo cabelo com o seu emblema, três pedaços de pão. Ela também é mostrada com Maria Madalena, com a qual ela é freqüentemente confundida, mas Madalena carrega uma jarra de óleo e ela apenas as três fatias de pão.
Ela é mostrada ainda sentada em baixo de uma palmeira no deserto, ou lavando os cabelos no Jordão, ou olhando o rio Jordão a distancia, ou sendo expulsa de uma igreja por um anjo com uma espada, ou recebendo a sagrada comunhão de São Zósimo.



Quarto domingo da grande quaraesma

São João Clímaco
OS TRINTA DEGRAUS DA ESCADA DE SÃO JOÃO CLIMACO:

1º degrau: a renúncia à vida do mundo;
2º degrau: renúncia aos afetos terrenos;
3º degrau: fuga do mundo;
4º degrau: bem-aventurada e sempre louvável obediência;
5º degrau: verdadeira e sincera penitência;
6º degrau: pensamento da morte e dom de lágrimas;
7º degrau: a tristeza que produz alegria;
8º degrau: a doçura que triunfa a cólera;
9º degrau: esquecimento das injúrias;
10º degrau: fugir da maledicência, que seca a virtude da caridade;
11º degrau: amor ao silêncio, porque falar muito leva à vanglória;
12º degrau: fugir da mentira, que é ato de hipocrisia;
13º degrau: combater o enfado e a preguiça, uma vez que esta última destrói por si só todas as virtudes;
14º degrau: praticar a temperança, porque comer guloseimas é hipocrisia do estômago;
15º degrau: amor à castidade;
16º degrau: viver a pobreza, oposta à avareza;
17º degrau: não deixar o coração endurecer (isso causa a morte da alma);
18º degrau: sono e do canto público dos salmos;
19º degrau: fazer vigílias;
20º degrau: timidez pueril;
21º degrau: não praticar a vanglória;
22º degrau: fugir do orgulho;
23º degrau: fugir da blasfêmia;
24º degrau: doçura da alma, simplicidade;
25º degrau: humildade;
26º degrau: discernimento nos pensamentos;
27º degrau: vida interior e paz de alma;
28º degrau: oração, que é santa e fecunda fonte de virtudes;
29º degrau: recolhimento do espírito e repouso do corpo que lhe são necessários;
30º degrau: fé, esperança e caridade


São João Clímaco nasceu em 580. Clímaco foi um monge do Monte Sinai, e deve o seu cognome a um livro seu, Escada (Klímax - Clímaco). A Escada é um resumo da vida espiritual, concebida para os solitários e contemplativos. Para Clímaco, a oração é a mais alta expressão da vida solitária; ela se desenvolve pela eliminação das imagens e dos pensamentos. Daí a necessidade da 'monologia', isto é, a invocação curta, de uma só palavra, incansavelmente repetida, que paralisa a dispersão do espírito. Essa repetição deve assimilar-se com a respiração.
João Clímaco faleceu por volta do ano 650.
O nome de São João Clímaco é uma alusão à palavra "klímax', que em grego significa escada. São João decidiu adotar este nome em virtude do livro escrito por ele mesmo, intitulado Escada para o Paraíso.
Nesta obra ele explica que existem 30 degraus a serem galgados para que possamos atingir a perfeição moral. Este livro foi um grande sucesso na época e chegou até mesmo a influenciar monges e outros religiosos cm sua conduta particular, tanto no Ocidente como no Oriente. A importância desta obra literária para a época pode ser notada na utilização do símbolo escada na arte bizantina.
São João Clímaco foi muito famoso como homem santo em toda a Palestina e Arábia. Viveu por volta do ano 650 e morreu no Monte Sinai.
Conta-se que ele era palestino e na adolescência ingressou cm um mosteiro no Monte Sinai, onde passou a dedicar sua vida às orações e à meditação. Até os 35 anos viveu desta forma, mas quando seu mestre faleceu resolveu encerrar-se cm uma cela e viver à moda dos monges do deserto: jejuando, orando e estudando a Bíblia.
Durante este novo período de sua vida São João Clímaco decidiu nunca mais comer carne, fosse ela vermelha ou branca. Também passou a sair de sua cela apenas para participar da Eucaristia, aos domingos.
Já com 70 anos foi eleito bispo do Monte Sinai, muito embora preferisse continuar com sua vida isolada. Nesta época construiu hospitais para a população mais pobre, ajudado pelo papa Gregório Magno.
Os últimos quatro anos de sua vida foram dedicados a viver como ermitão. Neste período de total isolamento ele escreveu Escada para o Paraíso.


Revista Santo do Dia. São Paulo: Ed. Casa Dois, 2001





TERCEIRO DOMINGO DA GRANDE QUARESMA
Domingo da Santa cruz
04 de março-2018

Os sofrimentos do Messias e Sua morte redentora foi o assunto de numerosas profecias e acontecimentos espirituais significantes do Antigo Testamento. Entre eles estão o sacrifício de Isaac (cf. Gên 22:1-18), a elevação da serpente de bronze no deserto (cf. Núm 21:4-9), os sacrifícios realizados no templo de Jerusalém, o ritual do bode expiatório (cf. Lev 16:1-34) e outros acontecimentos bíblicos. A profecia encontrada no capítulo 53 do livro de Isaías,  é a profecia mais clara entre as do Antigo Testamento com relação ao sofrimento do Messias:

"Quem deu crédito ao que nós ouvimos? E a quem foi revelado o braço do Senhor? Ele subirá como o arbusto diante Dele, e como raiz que sai de uma terra sequiosa; Ele não tem beleza, nem formosura; vimo-Lo, não tinha parecença do que era, e por isso não fizemos caso Dele. Ele era desprezado, o último dos homens, um homem de dores, experimentado nos sofrimentos; o Seu rosto estava encoberto; era desprezado, e por isso nenhum caso fizemos Dele. Verdadeiramente Ele foi o que tomou sobre si as nossas fraquezas, Ele mesmo carregou com as nossas dores; nós O reputamos como um leproso, como um homem ferido por Deus e humilhado. Mas foi ferido por causa das nossas iniquidades, foi despedaçado por causa dos nossos crimes; o castigo que nos devia trazer a paz, caiu sobre Ele, e nós fomos sarados com as Suas pisaduras. Todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se extraviou por seu caminho; e o Senhor carregou sobre Ele a iniquidade de todos nós. Foi oferecido (em sacrifício), porque Ele mesmo quis, e não abriu a Sua boca; como uma ovelha que é levada ao matadouro, como um cordeiro diante do que o tosquia, guardou silêncio e não abriu sequer a Sua boca.

 Ele foi tirado pela angústia e pelo juízo. Quem contará a Sua geração? Porque Ele foi cortado da terra dos viventes; eu O feri por causa da maldade do meu povo. E (o Senhor) Lhe dará os ímpios (convertidos) em recompensa da Sua sepultura, e o rico em recompensa da Sua morte; porque Ele não cometeu iniquidade, nem nunca se achou dolo na Sua boca. O Senhor quis consumi-Lo com sofrimentos, mas, quando tiver oferecido a Sua vida pelo pecado, verá uma descendência perdurável, e a vontade do Senhor prosperará nas Suas mãos. Verá o fruto do que a Sua alma trabalhou, e ficará satisfeito. Este mesmo justo, Meu servo (diz o Senhor) justificará muitos com a Sua ciência, e tomará sobre Si as suas iniquidades. Por isso eu Lhe darei por sorte uma grande multidão e Ele distribuirá os despojos dos fortes, porque entregou a Sua vida à morte, foi posto no número dos malfeitores, tomou sobre Si os pecados de muitos e intercedeu pelos pecadores" (Is 53).

Apesar dessa profecia ter sido escrita a mais de sete séculos antes de Cristo, sua linguagem é tão clara como se ela tivesse sido narrada por uma testemunha ocular perante ao pé da cruz.
João Batista, sem dúvida, referiu-se a essa mesma profecia, quando apontando para Jesus, disse aos judeus:

"Contemplem, o Cordeiro de Deus, Que tira os pecados do mundo."

Autor: Bispo Alexander (Mileant)
Tradução: N. Namestnikov
Folheto Missionário número P32


CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ
Carta Placuit Deo
aos Bispos da Igreja católica
sobre alguns aspectos da salvação cristã
I. Introdução
1. «Aprouve a Deus na sua bondade e sabedoria, revelar-se a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade (cfr. Ef 1,9), segundo o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e se tornam participantes da natureza divina (cfr. Ef 2,18; 2 Pe 1,4). […] Porém, a verdade profunda tanto a respeito de Deus como a respeito da salvação dos homens, manifesta-se-nos, por esta revelação, em Cristo, que é, simultaneamente, o mediador e a plenitude de toda a revelação».[1]O ensinamento sobre a salvação em Cristo exige sempre ser aprofundado novamente. A Igreja, tendo o olhar fixo em Cristo Senhor, dirige-se com amor materno a todos os homens, para anunciar-lhes o inteiro desígnio de Aliança do Pai que, mediante o Espírito Santo, deseja «submeter tudo a Cristo» (Ef 1,10). A presente Carta pretende destacar, na linha da grande tradição da fé e com especial referência ao ensinamento de Papa Francisco, alguns aspectos da salvação cristã que possam ser hoje difíceis de compreender por causa das recentes transformações culturais.
II. O impacto das transformações culturais de hoje sobre o significado da salvação cristã
2. O mundo contemporâneo questiona, não sem dificuldade, a confissão de fé cristã, que proclama Jesus o único Salvador de todo o homem e da humanidade inteira(cf. At 4,12; Rom 3,23-24; 1 Tm 2,4-5; Tit 2,11-15).[2]Por um lado, o individualismo centrado no sujeito autônomo, tende a ver o homem como um ser cuja realização depende somente das suas forças.[3]Nesta visão, a figura de Cristo corresponde mais a um modelo que inspira ações generosas, mediante suas palavras e seus gestos, do que Aquele que transforma a condição humana, incorporando-nos numa nova existência reconciliada com o Pai e entre nós, mediante o Espírito (cf. 2 Cor 5,19; Ef 2,18). Por outro lado, difunde-se a visão de uma salvação meramente interior, que talvez suscita uma forte convicção pessoal ou um sentimento intenso de estar unido a Deus, mas sem assumir, curar e renovar as nossas relações com os outros e com o mundo criado. Com esta perspectiva, torna-se difícil compreender o significado da Encarnação do Verbo, através da qual Ele se fez membro da família humana, assumindo a nossa carne e a nossa história, por nós homens e para a nossa salvação.
3. O Santo Padre Francisco, no seu magistério ordinário, referiu-se muitas vezes a duas tendências que representam os dois desvios antes mencionados, e que se assemelham em alguns aspectos a duas antigas heresias, isto é, o pelagianismo e o gnosticismo.[4]Prolifera em nossos tempos um neo-pelagianismo em que o homem, radicalmente autônomo, pretende salvar-se a si mesmo sem reconhecer que ele depende, no mais profundo do seu ser, de Deus e dos outros. A salvação é então confiada às forças do indivíduo ou a estruturas meramente humanas, incapazes de acolher a novidade do Espírito de Deus.[5]Um certo neo-gnosticismo, por outro lado, apresenta uma salvação meramente interior, fechada no subjetivismo.[6]Essa consiste no elevar-se «com o intelecto para além da carne de Jesus rumo aos mistérios da divindade desconhecida».[7]Pretende-se, assim, libertar a pessoa do corpo e do mundo material, nos quais não se descobrem mais os vestígios da mão providente do Criador, mas se vê apenas uma realidade privada de significado, estranha à identidade última da pessoa e manipulável segundo os interesses do homem.[8]Por outro lado, é claro que a comparação com as heresias pelagiana e gnóstica pretende somente evocar traços gerais comuns, sem entrar, nem fazer juízos, sobre a natureza destes erros antigos. De fato, a diferença entre o contexto histórico secularizado de hoje e o contexto dos primeiros séculos cristãos, nos quais estas heresias nasceram, é grande.[9]Todavia, enquanto o gnosticismo e o pelagianismo representam perigos perenes de equívocos da fé bíblica, é possível encontrar uma certa familiaridade com os movimentos de hoje apenas referidos acima.
4. Seja o individualismo neo-pelagiano que o desprezo neo-gnóstico do corpo, descaracterizam a confissão de fé em Cristo, único Salvador universal. Como poderia Cristo mediar a Aliança da família humana inteira, se o homem fosse um indivíduo isolado, que si auto realiza somente com as suas forças, como propõe o neo-pelagianismo? E como poderia chegar até nós a salvação mediante a Encarnação de Jesus, a sua vida, morte e ressurreição no seu verdadeiro corpo, se aquilo que conta fosse somente libertar a interioridade do homem dos limites do corpo e da matéria, segundo a visão neo-gnóstica? Diante destas tendências, esta Carta pretende reafirmar que, a salvação consiste na nossa união com Cristo, que, com a sua Encarnação, vida, morte e ressurreição, gerou uma nova ordem de relações com o Pai e entre os homens, e nos introduziu nesta ordem graças ao dom do seu Espírito, para que possamos unir-nos ao Pai como filhos no Filho, e formar um só corpo no «primogênito de muitos irmãos» (Rom 8,29).
III. O desejo humano de salvação
5. O homem percebe, direta ou indiretamente, de ser um enigma: eu existo, mas quem sou eu? Tenho em mim o princípio da minha existência? Toda pessoa, a seu modo, procura a felicidade e tenta alcançá-la recorrendo aos meios disponíveis. No entanto, esse desejo universal não é necessariamente expresso ou declarado; ao contrário, esse é mais secreto e oculto do que parece, e está pronto a revelar-se diante de situações específicas. Com frequência, tal desejo coincide com a esperança da saúde física, às vezes assume a forma de ansiedade por um maior bem-estar econômico, mais difusamente expressa-se através da necessidade de uma paz interior e de uma convivência pacífica com o próximo. Por outro lado, enquanto o desejo de salvação se apresenta como um compromisso na direção de um bem maior, esse conserva também uma característica de resistência e de superação da dor. Ao lado da luta pela conquista do bem se coloca a luta de defesa do mal: da ignorância e do erro, da fragilidade e da fraqueza, da doença e da morte.
6. Com relação a estas aspirações, a fé em Cristo ensina-nos, rejeitando qualquer pretensão de auto-realização, que as mesmas somente podem realizar-se plenamente se Deus mesmo as torna possíveis, atraindo-nos a Ele. A salvação plena da pessoa não consiste nas coisas que o homem poderia obter por si mesmo, como o ter ou o bem-estar material, a ciência ou a técnica, o poder ou a influência sobre os outros, a boa fama ou a auto-realização.[10]Nada da ordem do criado pode satisfazer completamente ao homem, porque Deus nos destinou à comunhão com Ele, e o nosso coração permanecerá inquieto até que não repouse Nele.[11]«A vocação última de todos os homens é realmente uma só, a divina».[12]A revelação, desta forma, não se limita a anunciar a salvação como resposta à expectativa contemporânea. «Se a redenção, ao contrário, devesse ser julgada ou medida pela necessidade existencial dos seres humanos, como poderíamos evitar a suspeita de termos simplesmente criado um Deus-Redentor à imagem de nossas próprias necessidades?».[13]
7. Além disso, é necessário afirmar que, segundo a fé bíblica, a origem do mal não se encontra no mundo material e corpóreo, experimentado como um limite e como uma prisão da qual deveríamos ser salvos. Pelo contrário, a fé proclama que o mundo inteiro é bom, enquanto criado por Deus (cf. Gen 1,31; Sab 1,13-14; 1Tim 4,4), e que o mal que mais prejudica o homem é aquele que provém do seu coração (cf. Mt 15,18-19; Gen 3,1-19). Pecando, o homem abandonou a fonte do amor, e se perde em falsas formas de amor, que o fecham cada vez mais em si mesmo. É esta separação de Deus – isto é, Daquele que é fonte de comunhão e de vida – que leva à perda de harmonia entre os homens e dos homens com o mundo, introduzindo a desintegração e a morte (cf. Rom 5,12). Consequentemente, a salvação que a fé nos anuncia não diz unicamente respeito à nossa interioridade, mas ao nosso ser integral. De facto, é a pessoa inteira, em corpo e alma, criada pelo amor de Deus à sua imagem e semelhança, que é chamada a viver em comunhão com Ele.
IV. Cristo, Salvador e Salvação
8. Em nenhum momento do caminho do homem, Deus deixou de oferecer a sua salvação aos filhos de Adão (cf. Gen 3,15), estabelecendo uma Aliança com todos os homens em Noé (cf. Gen 9,9) e, mais adiante, com Abraão e a sua descendência (cf. Gn 15,18). Assim, a salvação divina assume a ordem da criação compartilhada por todos os homens e percorre os seus caminhos concretos na história. Escolhendo para Si um povo, a quem ofereceu os meios para lutar contra o pecado e para se aproximar Dele, Deus preparou a vinda de «um poderoso Salvador, na casa de David, seu servidor» (Lc 1,69). Na plenitude dos tempos, o Pai enviou ao mundo seu Filho, o qual anunciou o reino de Deus, curando todo tipo de doenças (cf. Mt 4,23). As curas realizadas por Jesus, através das quais se tornava presente a providência de Deus, eram um sinal que se referia à sua pessoa, Àquele que se revelou plenamente como Senhor da vida e da morte no acontecimento pascal. Segundo o Evangelho, a salvação para todos os povos começa com o acolhimento de Jesus: «Hoje veio a salvação a esta casa» (Lc 19,9). A Boa Nova da salvação tem um nome e um rosto: Jesus Cristo, Filho de Deus Salvador. «No início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo».[14]
9. Ao longo da sua tradição secular, a fé cristã tornou presente, através de muitas figuras, a obra salvífica do Filho encarnado. Fê-lo sem nunca separar o aspecto regenerador da salvação, no qual Cristo nos resgata do pecado, do aspecto da elevação, pelo qual Ele nos faz filhos de Deus, participantes da sua natureza divina (cf. 2 Pe 1,4). Considerando a perspectiva salvífica no seu significado descendente, isto é, a partir de Deus que vem para resgatar os homens, Jesus é iluminador e revelador, redentor e libertador; Aquele que diviniza o homem e o justifica. Assumindo a perspectiva ascendente, isto é, a partir dos homens que se dirigem a Deus, Ele é Aquele que, como Sumo Sacerdote da Nova Aliança, oferece ao Pai o culto perfeito em nome dos homens: se sacrifica, repara os nossos pecados e permanece sempre vivo para interceder a nosso favor. Desta forma, verifica-se na vida de Jesus uma sinergia maravilhosa do agir divino com o agir humano, que mostra a falta de fundamento de uma perspectiva individualista. Assim, por um lado, o sentido descendente testemunha a primazia absoluta da ação gratuita de Deus; a humildade em receber os dons de Deus, antes mesmo do nosso agir, é essencial para poder responder ao seu amor salvífico. Por outro lado, o sentido ascendente recorda-nos que, através do agir plenamente humano de seu Filho, o Pai quis regenerar o nosso agir, para que, assemelhados a Cristo, possamos realizar «as boas obras que Deus de antemão preparou para nelas caminharmos» (Ef 2,10).
10. Para além disso, é claro que a salvação que Jesus trouxe na sua própria pessoa não se realiza somente de modo interior. Assim, para poder comunicar a cada pessoa a comunhão salvífica com Deus, o Filho se fez carne (cf. Jo 1,14). É exatamente assumindo a carne (cf. Rom 8,3; Heb 2,14; 1 Jo 4,2), e nascendo de uma mulher (cf. Gal 4,4), que «o Filho de Deus se fez filho do homem»[15]e, também, nosso irmão (cf. Heb 2,14). Assim, entrando a fazer parte da família humana, «uniu-se de certo modo a cada homem»[16]e estabeleceu uma nova ordem nas relações com Deus, seu Pai, e com todos os homens, na qual podemos ser incorporados para participar na sua própria vida. Consequentemente, assumir a carne humana, longe de limitar a ação salvífica de Cristo, permite-Lhe mediar de maneira concreta a salvação de Deus com todos os filhos de Adão.
11. Concluindo, e para responder, quer seja ao reducionismo individualista da tendência pelagiana, quer seja ao reducionismo neo-gnóstico que promete uma libertação interior, é necessário recordar o modo como Jesus é Salvador. Ele não se limitou a mostrar-nos o caminho para encontrar Deus, isto é, um caminho que poderemos percorrer por nós mesmos, obedecendo às suas palavras e imitando o seu exemplo. Cristo, todavia, para abri-nos a porta da libertação, tornou-se Ele mesmo o caminho: «Eu sou o caminho» (Jo 14,6).[17]Além disso, esse caminho não é um percurso meramente interior, à margem das nossas relações com os outros e com o mundo criado. Pelo contrário, Jesus ofereceu-nos um «caminho novo e vivo que Ele abriu para nós através […] da sua carne» (Heb 10,20). Enfim, Cristo é Salvador porque Ele assumiu a nossa humanidade integral e viveu em plenitude a vida humana, em comunhão com o Pai e com os irmãos. A salvação consiste em incorporar-se nesta vida de Cristo, recebendo o seu Espírito (cf. 1 Jo 4,13). Assim, Ele tornou-se «em certo modo, o princípio de toda graça segundo a humanidade».[18]Ele é, ao mesmo tempo, o Salvador e a Salvação.
V. A Salvação na Igreja, corpo de Cristo
12. O lugar onde recebemos a salvação trazida por Jesus é a Igreja, comunidade daqueles que, tendo sido incorporados à nova ordem de relações inaugurada por Cristo, podem receber a plenitude do Espírito de Cristo (cf. Rom 8,9). Compreender esta mediação salvífica da Igreja é uma ajuda essencial para superar qualquer tendência reducionista. De fato, a salvação que Deus nos oferece não é alcançada apenas pelas forças individuais, como gostaria o neo-pelagianismo, mas através das relações nascidas do Filho de Deus encarnado e que formam a comunhão da Igreja. Além disso, uma vez que a graça que Cristo nos oferece não é, como afirma a visão neo-gnóstica, uma salvação meramente interior, mas que nos introduz nas relações concretas que Ele mesmo viveu, a Igreja é uma comunidade visível: nela tocamos a carne de Jesus, de maneira singular nos irmãos mais pobres e sofredores. Enfim, a mediação salvífica da Igreja, «sacramento universal de salvação»,[19]assegura-nos que a salvação não consiste na auto-realização do indivíduo isolado, e, muito menos, na sua fusão interior com o divino, mas na incorporação em uma comunhão de pessoas, que participa na comunhão da Trindade.
13. Tanto a visão individualista como a visão meramente interior da salvação contradizem a economia sacramental, através da qual Deus quis salvar a pessoa humana. A participação, na Igreja, à nova ordem de relações inauguradas por Jesus realiza-se por meio dos sacramentos, entre eles, o Batismo que é a porta,[20]e a Eucaristia que é fonte e culmine.[21]Assim, se vê, a inconsistência das pretensões de auto-salvação, que contam apenas com as forças humanas. Pelo contrário, a fé confessa que somos salvos por meio do Batismo, que imprime o caráter indelével de pertencer a Cristo e à Igreja, do qual deriva a transformação do nosso modo concreto de viver as relações com Deus, com os homens e com a criação (cf. Mt 28,19). Assim, purificados do pecado original e de todo pecado, somos chamados a uma nova vida em conformidade com Cristo (cf. Rom 6,4). Com a graça dos sete sacramentos, os crentes continuamente crescem e se regeneram, sobretudo, quando o caminho se torna mais difícil e as quedas não faltam. Quando eles pecam, abandonam o amor por Cristo, podendo ser reintroduzidos, por meio do sacramento da Penitência, à ordem das relações inaugurada por Jesus, para caminhar como Ele caminhou (cf. 1 Jo 2,6). Desta forma, olhamos com esperança para o juízo final, no qual cada pessoa será julgada pelo amor (cf. Rm 13,8-10), especialmente pelos mais fracos (cf. Mt 25,31-46).
14. A economia salvífica sacramental opõe-se ainda às tendências que propõem uma salvação meramente interior. De facto, o gnosticismo está associado a um olhar negativo sobre a ordem da criação, inclusive, como uma limitação da liberdade absoluta do espírito humano. Consequentemente, a salvação é vista como libertação do corpo e das relações concretas que a pessoa vive. Pelo contrário, como somos salvos «por meio da oferta do corpo de Jesus Cristo» (Heb 10,10; cf. Col 1,22), a verdadeira salvação, longe de ser libertação do corpo, compreende também a sua santificação (cf. Rom 12,1). O corpo humano foi modelado por Deus, que nele inscreveu uma linguagem que convida a pessoa humana a reconhecer os dons do Criador e a viver em comunhão com os irmãos.[22]O Salvador restabeleceu e renovou, com a sua Encarnação e o seu mistério pascal, esta linguagem originária, e comunicou-a na economia corporal dos sacramentos. Graças aos sacramentos, os cristãos podem viver fielmente à carne de Cristo e, consequentemente, em fidelidade à ordem concreta das relações que Ele nos deu. Esta ordem de relações requer, de maneira especial, o cuidado pela humanidade sofredora de todos os homens, através das obras de misericórdia corporais e espirituais.[23]
VI. Conclusão: comunicar a fé, esperando o Salvador
15. A consciência da vida plena, na qual Jesus Salvador nos introduz, impulsiona os cristãos à missão de proclamar a todos os homens a alegria e a luz do Evangelho.[24] Neste esforço, eles estarão também prontos para estabelecer um diálogo sincero e construtivo com os crentes de outras religiões, na confiança que Deus pode conduzir à salvação em Cristo «todos os homens de boa vontade, em cujos corações a graça opera ocultamente».[25]Ao dedicar-se com todas as suas forças à evangelização, a Igreja continua a invocar a vinda definitiva do Salvador, porque «na esperança fomos salvos» (Rom 8,24). A salvação do homem será plena somente quando, depois de ter vencido o último inimigo, a morte (cf 1 Cor 15,26), participaremos plenamente da glória de Cristo ressuscitado, que leva à plenitude a nossa relação com Deus, com os irmãos e com toda a criação. A salvação integral, da alma e do corpo, é o destino final ao qual Deus chama todos os homens. Fundamentados na fé, sustentados pela esperança, operantes na caridade, seguindo o exemplo de Maria, a Mãe do Salvador e a primeira dos que foram salvos, estamos certos de que nossa cidadania “está nos céus, de onde certamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Ele transfigurará o nosso pobre corpo, conformando-o ao seu corpo glorioso, com aquela energia que o torna capaz de a si mesmo sujeitar todas as coisas”(Fil 3,20-21).
O Sumo Pontífice Francisco, no dia 16 de fevereiro de 2018, aprovou esta Carta, decidida na Sessão Plenária desta Congregação no dia 24 de janeiro de 2018, e ordenou a publicação.
Dado em Roma, na Sede da Congregação para a Doutrina da Fé, no dia 22 de fevereiro de 2018, Festa da Cátedra de São Pedro.
+ Luis F. Ladaria, S.I.
Arcebispo titular de Thibica
Prefeito

+ Giacomo Morandi
Arcebispo titular de Cerveteri
Secretário


[1] Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Dei Verbum, n. 2.
[2] Cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Decl. Dominus Iesus (6 de agosto de 2000), nn. 5-8: AAS 92 (2000), 745-749.
[3] Cf. Francisco, Exort. apost. Evangelii gaudium(24 de novembro de 2013), n. 67: AAS105 (2013), 1048.
[4] Cf. Id., Carta enc. Lumen fidei (29 de junho de 2013), n. 47: AAS 105 (2013), 586-587; Exort. apost. Evangelii gaudium, nn. 93-94AAS (2013), 1059; Discurso aos representantes do V Congresso nacional da Igreja italiana, Florença (10 de novembro de 2015)AAS 107 (2015), 1287.
[6] Cf. Id., Exort. apost. Evangelii gaudium, n. 94AAS105 (2013), 1059: «o fascínio do gnosticismo, uma fé fechada no subjetivismo, onde apenas interessa uma determinada experiência ou uma série de raciocínios e conhecimentos que supostamente confortam e iluminam, mas, em última instância, a pessoa fica enclausurada na imanência da sua própria razão ou dos seus sentimentos»; Pontíficio Conselho para a Cultura –– Pontifício Conselho para o diálogo Inter-religioso, Jesus Cristo, portador da água viva. Uma reflexão cristã sobre a “New Age” (janeiro de 2003), Cidade do Vaticano 2003.
[7] Francisco, Carta enc. Lumen fidei , n. 47: AAS 105 (2013), 586-587.
[8] Cf. Id., Discurso aos participantes da peregrinação da diocese de Brescia (22 de junho de 2013): AAS 95 (2013), 627: «neste mundo onde nega-se o homem, onde se prefere andar na estrada do gnosticismo, […] do “sem carne” – um Deus que não se fez carne […]».
[9] De acordo com a heresia Pelagiana, desenvolvida durante o século V ao redor de Pelágio, o homem, para cumprir os mandamentos de Deus e ser salvo, precisa da graça apenas como um auxílio externo à sua liberdade (como luz, exemplo, força), mas não como uma sanação e regeneração radical da liberdade, sem mérito prévio, para que ele possa realizar o bem e alcançar a vida eterna.
Mais complexo é o movimento gnóstico, surgido nos séculos I e II, que manifestou-se de formas muito diferentes. Em geral, os gnósticos acreditavam que a salvação é obtida através de um conhecimento esotérico ou “gnose”. Esta gnose revela ao gnóstico sua essência verdadeira, isto é, uma centelha do Espírito divino que habita em sua interioridade, que deve ser libertada do corpo, estranho à sua verdadeira humanidade. Somente assim o gnóstico retorna ao seu ser originário em Deus, de quem ele afastou-se pela queda original.
[10] Cf. Tomás, Summa theologiae, I-II, q. 2.
[11] Cf. Agostinho, Confissões, I, 1: Corpus Christianorum, 27,1.
[12] Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, n. 22.
[13] Comissão Teológica Internacional, Algumas questões sobre a teologia da redenção, 1995, n. 2.
[14] Bento XVI, Carta enc. Deus caritas est (25 de dezembro de 2005), n. 1: AAS 98 (2006), 217; cf. Francisco, Exort. apost. Evangelii gaudium, n. 3AAS 105 (2013), 1020.
[15] Irineu, Adversus haereses, III, 19,1: Sources Chrétiennes, 211, 374.
[16] Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, n. 22.
[17] Cf. Agostinho, Tractatus in Ioannem, 13, 4: Corpus Christianorum, 36, 132: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14, 6). Se você busca a verdade, siga o caminho; porque o caminho é o mesmo que a verdade. A meta que se busca e o caminho que se deve percorrer, são a mesma coisa. Não se pode alcançar a meta seguindo um outro caminho; por outro caminho não se pode alcançar a Cristo: a Cristo se pode alcançar somente através de Cristo. Em que sentido se chega a Cristo através de Cristo? Se chega a Cristo Deus através de Cristo homem; por meio do Verbo feito carne se chega ao Verbo que era no princípio Deus junto a Deus.
[18] Tomás, Quaestio de veritate, q. 29, a. 5, co.
[19] Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 48.
[20] Cf. Tomás, Summa theologiae, III, q. 63, a. 3.
[21] Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 11; Const. Sacrosanctum Concilium, n. 10.
[22] Cf. Francisco, Carta enc. Laudato si’ (24 de maio de 2015), n. 155: AAS 107 (2015), 909-910.
[23] Cf. Id., Carta apost. Misericordia et misera (20 de novembro de 2016), n. 20: AAS 108 (2016), 1325-1326.
[24] Cf. João Paulo II, Carta enc. Redemptoris missio (7 de dezembro de 1990), n.40: AAS 83 (1991), 287-288; Francisco, Exort. apost. Evangelii gaudium, nn. 9-13AAS105 (2013), 1022-1025.

[25] Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, n. 22.



DOMINGO DAS SANTAS RELIQUIAS

2º Domingo da Grande Quaresma
25-fevereiro-2018

NO FINAL DE CADA DIVINA LITURGIA ESTAREMOS DISTRIBUINDO UMA RELÍQUIA PARA CADA FIEL 



A primeira vez em que um milagre foi feito pela relíquia dos santos está em II Reis 13:20-21, onde um homem morto foi colocado sobre os ossos do Profeta Eliseu, ressuscitando. Temos vemos em Atos 19:11-12, onde as relíquias de São Pedro e São Paulo efetuavam milagres pela graça de Deus. Como podemos negar os milagres das relíquias sagradas, quando temos exemplos destas nas Escrituras? Também temos o exemplo de diversas histórias dos antigos cristãos, que reverenciavam as relíquias dos mártires, como nos conta os martírios de São Policarpo e Ignácio. Não se enganem, é Deus quem faz os milagres, mas Ele faz pelas relíquias dos santos. Se Deus assim os honra, como nós podemos negar a eles alguma honra?
Parte deste problema para aceitar a validade das relíquias ocorre porque nossa sociedade ensina que o corpo é uma coisa, que é algo onde o ego ou a alma habita: que a pessoa interna é a que verdadeiramente importa, o corpo não passaria de uma roupa que será descartada. Mas as Escrituras nos ensinam que o Corpo é como uma parte integrante da pessoa, como a alma. Se não fosse assim, por que Deus prometeria ressuscitar os mortos com seus corpos íntegros? Então, faria Ele corpos novos, de algum outro material, para a ressurreição? Mas Deus prometeu livrar os corpos dos santos da morte e da corrupção, portanto ensinamos que há uma verdadeira identidade entre o corpo e a alma. Por isso honramos os corpos dos santos, pois estes são uma ligação aos santos no céu, que foram honrados por Deus em milagres e sinais, e porque fomos ensinados a fazer isso desde o princípio.
Dando veneração aos santos de Deus que partiram com suas almas para o céu, a Santa Igreja ao mesmo tempo honra as relíquias ou corpos dos santos de Deus que permanecem na terra.

No Velho Testamento não havia a veneração dos corpos dos justos, pois os justos estavam ainda esperando a sua libertação. Então também a carne (dos mortos) era considerada impura.
No Novo Testamento após a Encarnação do Salvador, houve uma elevação não só do conceito do homem em Cristo, mas também do conceito do corpo como morada do Espírito Santo. O próprio Senhor, o Verbo de Deus, encarnou e tomou sobre si um corpo humano. Os Cristãos são chamados para isso: que não só suas almas mas também seus corpos, santificados pelo santo Batismo, santificados pela recepção do Puríssimo Corpo e Sangue de Cristo, possam tornar-se verdadeiros templos do Espírito Santo. "Não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós?" (1 Co 6:19). E por isso os corpos dos Cristãos que viveram uma vida justa ou tornaram-se santos pelo recebimento de uma morte em martírio, são dignos de especial veneração e honra.

A Santa Igreja em todos os tempos, seguindo a Sagrada Tradição, mostrou honra às santas relíquias. Essa honra tem sido expressa: a) pela reverente coleta e preservação dos remanescentes dos santos de Deus, como é sabido pelos relatos desde o segundo século, e a seguir pelos testemunhos dos tempos posteriores; b) na solene descoberta e translação de santas relíquias; c) nas construção sobre elas de igreja e altares; d) no estabelecimento de festas em memória de suas descobertas e translações; e) na peregrinação para santos túmulos, e na decoração deles; f) na regra constante da Igreja de colocar relíquias de santos mártires na dedicação de altares, ou de colocar relíquias no santo antimension sobre o qual é realizada a Divina Liturgia.
Essa honra inteiramente natural dada ás santas relíquias e a outros remanescentes dos santos de Deus tem uma firme fundamentação no fato que Deus dignou-se a honrá-las e glorificá-las por inumeráveis sinais e milagres — algo para o que existe testemunho através do complexo da historia da Igreja. Mesmo no Velho Testamento, quando santos não eram venerados com uma glorificação especial depois da morte, houveram sinais produzidos pelos corpos dos justos. Assim, o corpo de um certo homem morto, depois de ter tocado ossos do Profeta Eliseu em seu túmulo, imediatamente voltou à vida, e o homem morto se pôs sobre seus pés (II Reis 13:21). O corpo do Profeta Elias foi elevado vivo para o céu, e seu manto, que foi deixado por ele para Eliseu, dividiu por seu toque (do manto) as águas do Jordão para o cruzamento do Rio, por Eliseu.

Olhando-se no Velho Testamento, nós lemos nos Atos dos Apóstolos que lenços e aventais do corpo do Apóstolo Paulo eram colocados sobre os doentes, e as doenças eram curadas, e espíritos malignos saiam deles (At 19:12). Os Santos Padres e professores da Igreja tem testemunhado diante de seus ouvintes e leitores os milagres ocorridos pelos remanescentes dos santos, e com freqüência eles tem chamado seus contemporâneos a serem testemunhas da verdade de suas palavras. Por exemplo, Santo Ambrósio diz em sua homilia na descoberta das relíquias de Santos Gervário e Protásio: "Vós conhecestes e até mesmo vistes muitos que foram libertados dos demônios e mais ainda aqueles que não logo tocaram as vestes dos santos que com suas mãos e foram imediatamente curados de suas doenças. Os milagres da antiguidade foram renovados desde o tempo quando através da vinda do Senhor Jesus, foi derramada sobre a abundante graça! Vós vistes muitos que foram curados como se fosse pela sombra dos santos. Quantas roupas foram passadas de mão em mão! Quantas vestes, deixadas sobre os remanescentes sagrados, e que pelo mero toque tornaram-se fonte de cura, que os que crêem pedem de cada outro! Todos tentam no mínimo um pouco tocar (as vestes), e o que toca fica curado." Testemunhos similares podem ser lidos em São Gregório o Teólogo, São Efrem, o Sírio, São João Crisóstomo, Bem Aventurado Agostinho e outros.

Já no início do segundo século já informações sobre a honra dada pelos Cristãos aos remanescestes dos santos. Assim, depois de descrever a morte por martírio de Santo Inácio Teóforo, Bispo de Alexandria, uma pessoa que testemunhou essa morte afirmou que "O que restou de seu corpo (que foi feito em pedaços pelas bestas no circo), só as partes mais firmes foram pegas e levadas para Antioquia e colocadas em linho como um inestimável tesouro da graça que habita no mártir, um tesouro deixado para a Santa Igreja." Os residentes das cidades, começando por Roma, receberam esses remanescentes em sucessão naquele; e carregaram-nos nos ombros, como São Crisóstomo mais tarde testemunhou. "para a cidade de Antioquia, louvando o vitorioso coroado e glorificando o lutador." Da mesma forma, depois na morte por martírio de São Policarpo como um tesouro mais precioso que pedras preciosas e mais puro que ouro, e os colocaram "... para a celebração do dia de seu nascimento por martírio, e para a instrução e confirmação dos futuros cristãos."

Os remanescentes dos santos (em gregos ta leipsana, em latim reliquiae, ambos significando o que foi "deixado") são reverenciados estejam ou não incorruptos pelo respeito pela vida santa ou pela morte por martírio do santo, mais ainda quando há evidentes e confirmados sinais de cura pelas orações aos santos pela intercessão deles diante de Deus. Os concílios da Igreja muitas vezes (por exemplo, o Concílio de Moscou de 1667) proibiram o reconhecimento dos que passaram como santos, pela simples incorruptibilidade de seus corpos. Mas com certeza a incorruptibilidade dos corpos dos justos é aceita como um dos sinais Divinos de sua santidade. (Pode-se dizer que a incorruptibilidade de corpo de um morto não é garantia de santidade: podem ser dados exemplos de swamis orientais cujos corpos estavam incorruptos muitos tempos depois da morte (seja por meios naturais relacionados às suas vidas ascéticas, ou por uma imitação demoníaca) e do corpo de alguns grande santos Ortodoxos (por exemplo, São Serafim de Sarov, São Herman do Alasca) restaram só ossos. As relíquias de São Nectário de Pentápolis (morto 1920) ficaram incorruptos por muitos anos, e então rapidamente decaíram (no solo) deixando só ossos perfumados).

Reverenciando as santas relíquias, nós não acreditaríamos na força ou poder dos remanescentes nos santos, mas sim ma intercessão por oração dos santos cujas relíquias diante de nós levantam em nossos corações um sentimento de proximidade dos próprios santos de Deus, que uma vez usaram esses corpos.
Teologia
Dogmática Ortodoxa.
Protopresbítero Michael Pomazansky (1888—1988)

Tradução: Rev. Pedro Oliveira Junior.

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Comunicamos que a santa sé apostólica de roma em comunhão com o sínodo patriarcal greco melquita católico transferiu e nomeou dom joseph gebara até a presente data eparca do brasil como bispo da eparquia de petra e filadélfia no reino hachemita da jordânia. Sendo elevado a dignidade de ARCEBISPO.


Primeiro Domingo da Grande Quaresma
18 de fevereiro - 2018

Santos Ícones


O PRIMEIRO DOMINGO DA GRANDE QUARESMA É O DOMINGO DA ORTODOXIA. Ele foi estabelecido como um dia memorial especial pelo Concilio de Constantinopla em 843. Ele comemora antes de tudo a vitória da Igreja sobre a heresia dos Iconoclastas: o uso e veneração dos Santos Ícones foi restaurada. Neste dia nós continuamos a cantar o tropário da Santa Imagem de Cristo: "Nós reverenciamos vossa sagrada Imagem, ó Cristo..."
Á primeira vista, pode parecer ser uma ocasião inadequada para comemorar a glória da Igreja e todos os heróis e mártires da Fé da Igreja. Não seria mais razoável fazer isto nos dias dedicados à memória dos grandes Concílios Ecumênicos ou dos Santos Padres da Igreja? A veneração do Ícone não é mais uma peça de um ritual e cerimonial externo? Um Ícone pintado não é justamente mais uma decoração, muito bonita de fato, e de diversas maneiras instrutiva, mas dificilmente um artigo de Fé? Esta é a opinião corrente, infelizmente largamente espalhada mesmo entre os próprios Católicos e Ortodoxos. E é a responsável por um pesaroso decaimento da nossa arte religiosa. Nós usualmente confundimos Ícones com "pinturas religiosas", e assim não encontramos dificuldade em usar as mais inadequadas pinturas como Ícones, mesmo nas nossas igrejas. Com excessiva freqüência nós simplesmente perdemos o significado religioso dos Santos Ícones. Nós esquecemos do verdadeiro e definitivo propósito dos Ícones.

Olhemos o testemunho de São João Damasceno — um dos primeiros e maiores defensores dos Santos Ícones na época da luta — o grande teólogo e poeta devocional da nossa Igreja. Em um de seus sermões em defesa dos Ícones ele diz: "Eu tenho visto a imagem humana de Deus e minha alma está salva". É uma afirmação forte e mobilizadora. Deus é invisível, Ele vive na luz inaproximável. Como pode um homem frágil ver ou contemplar Ele? Porém, Deus Se manifestou na carne. O Filho de Deus, Que está no seio do Pai, "desceu do céu" e "Se fez homem". Ele habitou entre os homens. Este foi o grande movimento do Amor Divino. O Pai Celestial foi movido pela miséria do homem e enviou Seu Filho porque Ele amava o mundo. "Deus nunca foi visto por alguém. O Filho Unigênito, Que está no seio do Pai, Este o fez conhecer." (Jo. 1: 18). O Ícone de Cristo, Deus Encarnado, é um testemunho contínuo da Igreja para aquele mistério da Santa Encarnação, que é a base e substância de nossa fé e esperança. Cristo Jesus, nosso abençoado Senhor, é Deus Encarnado. Isto significa que desde a Encarnação Deus é visível. Pode-se ter agora uma verdadeira imagem de Deus. 

A Encarnação é uma identificação íntima e pessoal de Deus com o homem, com as necessidades e misérias do homem. O Filho de Deus "Se fez homem", como afirma o Credo, "e por nós homens e para nossa salvação". Ele tomou sobre Si os pecados do mundo, e morreu por nós pecadores na árvore da Cruz, e assim Ele fez da Cruz a árvore da vida para os fiéis. Ele Se tornou o novo e Último Adão. A Cabeça da nova e redimida humanidade. A Encarnação significa uma intervenção pessoal de Deus na vida do homem, uma intervenção do Amor e Misericórdia. O Santo Ícone de Cristo é um símbolo disto, mas muito mais do que um mero símbolo ou sinal. É também um eficiente sinal e recordação da presença em habitação de Cristo na Igreja, que é Seu Corpo. Mesmo em uma pintura comum há sempre algo da pessoa representada. Uma pintura não só nos lembra da pessoa, mas de alguma forma conduz a alguma coisa dela, isto é, "representa" a pessoa, ou seja, "torna ela presente de novo". Isto é ainda mais verdade com a sagrada Imagem de Cristo. Como os professores da Igreja nos ensinaram — especialmente São Teodoro o Estudita, outro grande confessor e defensor dos Santos Ícones — um Ícone, em certo sentido, pertence á própria personalidade de Cristo. O Senhor está lá, nas Suas "Santas Imagens".
Por isso, nem todo mundo tem permissão para fazer ou pintar um Ícone, se se tratar de verdadeiros Ícones. O pintor de Ícones deve ser um membro fiel da Igreja, e deve se preparar para sua tarefa sagrada com jejum e oração. Não se trata somente de uma questão de arte, ou de habilidade artística ou técnica. É um tipo de testemunho, uma profissão de fé. Pela mesma razão, a arte em si deve ser subordinada de todo o coração à regra da fé. Há limites para a imaginação artística. Existem certos padrões estabelecidos a serem seguidos. Em todo caso, o Ícone de Cristo deve ser executado de maneira a conduzir à verdadeira concepção de Sua pessoa, isto é, testemunhar a Sua Divindade, ainda que Encarnada. Todas estas regras foram mantidas por séculos na Igreja, e então elas foram esquecidas. Até mesmo descrentes foram autorizados a pintar ícones de Cristo nas igrejas, e assim certos ‘ícones’ modernos não são mais do que pinturas, nos mostrando somente um homem. Estas pinturas falham em ser "Ícones" em qualquer sentido próprio e verdadeiro, e cessam de ser testemunhas da Encarnação. Em tais casos, nós simplesmente "decoramos" nossas igrejas.
O uso dos Santos Ícones sempre foi uma das características mais distintivas da Igreja Católica Oriental e Ortodoxa. O Ocidente Cristão, mesmo antes do Cisma, tinha pouco entendimento desta substância dogmática e devocional da pintura de Ícones. No Ocidente ela significava simplesmente decoração. E foi sob influência ocidental que a pintura de Ícones também se deteriorou no Oriente Católico e Ortodoxo nos tempos modernos. O decaimento da pintura de Ícones foi um sintoma do enfraquecimento da fé. A arte dos Santos Ícones não é uma matéria neutra. Ele pertence à Fé.
É comum e indispensável em nossas casas "católicas fervorosas" haver lugar para os santos ícones

Não deve haver risco, nem "improvisação" na pintura de nossas igrejas. Cristo nunca está sozinho, afirma São João Damasceno. Ele está sempre com Seus santos, que são Seus amigos para sempre. Cristo é a Cabeça, e os verdadeiros fiéis são o Corpo. Nas igrejas antigas o estado completo da Igreja Triunfante estava representado pictorialmente nas paredes. De novo, isto não era simplesmente uma decoração, nem era uma simplesmente uma história contada em linhas e cores para os ignorantes e iletrados. Era mais uma visão da realidade invisível da Igreja. A companhia toda do Céu estava representada porque ela estava presente ali, apesar de invisivelmente. Nós sempre oramos na Divina Liturgia, durante a Pequena Entrada, "que os Santos Anjos entrem conosco para servirem conosco...". E nossa oração é, sem dúvida, atendida. Nós não vemos os Anjos, na verdade. Nossa visão é fraca. Mas é relatado que São Serafim costumava vê-los, pois eles estavam lá de fato. Os eleitos do Senhor os vêem e a Igreja Triunfante. Ícones são sinais desta presença. "Quando nós estamos no templo de vossas glória, nós os vemos nos Céus".
Assim, é bastante natural que no Domingo da Ortodoxia nós devamos celebrar não somente a restauração da veneração dos Ícones, mas comemorar também o glorioso corpo de testemunhas e fiéis que professaram sua fé, mesmo ao custo de sua segurança, prosperidade e a própria vida mundana. É o grande dia da Igreja. De fato, nesse dia nós celebramos a Igreja do Verbo Encarnado: nós celebramos o Amor redimidor do Pai, o Amor Crucificado do Filho, e o Companheirismo do Espírito Santo, tornados visíveis na companhia toda dos fiéis, que já entraram no Repouso Celeste, na alegria Permanente do Senhor e Mestre deles. Santos Ícones são nossas testemunhas do Reino que há de vir, e já presente.

Do Capítulo VI, "Dimensões da Redenção," da
Collected Works of Georges Florovsky, Vol. III:
Creation and Redemption (Nordland Publishing Company):
Belmont, Mass., 1976), pp. 209-212.
Folheto Missionário número P095w
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Redator: Bispo Alexandre Mileant